Estou

Hoje recebi a visita de uma antiga conhecida. Na verdade eu a chamo de conhecida para evitar dizer que somos bem íntimos e que ela me visita em lugares e momentos que eu não escolho pois tem as chaves do meu interior. Ela sabe de mim quase tudo e traz consigo coisas que roubou no decorrer dos anos. Não sei o que a faz pensar que sou dela, logo eu, que tento ser tão meu quanto de mais ninguém. Ela me rouba sorrisos e me atira pra dentro dos porões da memória. Às vezes ela se tranca por dentro junto comigo e ficamos ali, em silêncio, por horas, como só quem tem intimidade consegue ficar. O silêncio deve ser a maior das intimidades. Respiro fundo. Respiro. Fundo é o lugar onde estamos agora. Por mim tudo bem, já que nunca fui homem dado às "rasidades" da vida. Acostumei-me ao mergulho mesmo quando me faltava o ar no peito. Por vezes sufoquei buscando pérolas em mexilhões podres. Foi aí que aprendi a respirar no fundo do meu oceano particular, antes de me atirar em mares outros. Olho ao lado, e pela pequena janela entrecortada eu vejo que a vida continua exigindo e ofertando. Abro minhas cortinas. Respiro o mesmo ar dos imortais. Sou algo que não posso saber, e entre o ser e o saber, estou.


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