Deixa ir

Eu sempre dormi de porta fechada mas nunca fui uma pessoa de fechar portas. Na verdade sempre fiz questão de mantê-las abertas. Um equívoco que eu só percebi muito tempo depois.

Eu tinha um sério problema de apego. Sempre me apegava às pessoas e queria mantê-las na minha vida a todo custo. Um sofrimento bobo e desnecessário.

Tive problemas com rejeição (quem nunca), pais separados e toda essa história familiar comum a quem nasceu na década de 80, contribuíra pra isso, obviamente, e eu precisava me libertar, porque no fundo, o que me fazia querer as pessoas na minha vida a qualquer custo, o que me fazia não saber dizer tchau sem peso na consciência, o que me mantinha refém de um apego burro, era simplesmente a porra da sensação de estar sendo abandonado, ou de abandonar alguém.

Eu não percebia que alguém não estar mais na minha vida, por qualquer circunstância que fosse, não significava abandono e sim vida. Digo vida porque assim é a vida. Ela segue seu curso como um rio impetuoso, cheio de força e alheio às nossas vontades.

Eu não entendia que ao dizer tchau, eu não estava abandonando alguém, mas sim deixando que a vida seguisse seu caminho do jeitinho que tinha de ser.

Com o tempo eu fui percebendo que eu não precisava procurar pessoas "sumidas" porque se sumiram era porque tinham que sumir, e esse era o único motivo que eu precisava para não procurá-las mais.

Demorou, doeu, mas eu aprendi. Hoje em dia eu deixo quem quer sair ir embora, sem a menor preocupação de manter a pessoa na minha vida. Tudo é ciclo e sofre menos quem entende esse movimento. Sofre menos quem não tenta forçar o destino a manter quem quer que seja próximo da gente. Imagina o peso que eu carregava com um tanto de gente que já tinha ido embora mas que eu ainda carregava aqui dentro? Imagina como a vida ficou mais leve, quando eu não só liberei quem quis ir, como também mandei embora quem nunca quis ficar? Ah, que libertador é mandar essa gente embora. Quão leve fica o nosso caminhar.

Pois é, hoje em dia eu faço questão de fechar as portas, apagar os contatos do celular, deletar as mensagens, fotos, áudios, tudo. Hoje em dia eu faço questão de apagar quaisquer resquícios de quem não me fez bem. E é claro que isso não é como todo mundo e nem é sempre, mas como é importante poder fazer isso sem peso. Hoje eu bato a porta com um tanto mais de facilidade e sem arrependimentos, e posso te dizer que isso mudou a minha vida.

A minha dica? Deixa ir quem tiver de ir pois só assim terá espaço pra quem quiser chegar. E quem sabe, ficar!


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